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O termo inglês ‘performative’ foi pela primeira vez utilizado por John L. Austin, em 1955, numa série de conferências intitulada “How to do things with words”. Austin era um filósofo da linguagem que descobriu e defendeu o poder transformador dos discursos. Ao mesmo tempo, no terreno da produção artística, surgiu sobretudo a partir dos anos 1960/70, uma corrente designada por “performance art”. Esta corrente extravasava as classificações convencionais nas artes, situando-se nas fronteiras entre as artes plásticas, a dança, a música e o teatro e sobretudo colocando o corpo na centralidade das suas produções. No final dos anos 80, com Judith Butler e outros teóricos, teve lugar uma renovação e ampliação do conceito de performativo. O pressuposto representacional das linguagens artísticas foi questionado, considerando o que se passava no próprio terreno da arte. Em muitos estudos, passou a adoptar-se a noção de ‘performatividade’ a par ou em substituição da noção de ‘expressividade’. As tradicionalmente designadas ‘artes do espectáculo’ (teatro, dança, música, circo) passaram assim a ser repensadas no âmbito da performance, que se alargou a modalidades até então consideradas fora do campo da arte. Tendencialmente passou a falar-se em ‘estéticas performativas’ para designar a investigação que sublinha a presença fundadora do corpo e dos seus gestos nos processos de criação e de recepção.

O Centro de Estudos em Artes Performativas (CEAP) é uma das unidades operacionais da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa. A pesquisa desenvolvida no CEAP realiza-se nos seguintes eixos:

Documentação e interpretação – A transitoriedade dos fenómenos performativos e a respetiva intangibilidade acarretam tarefas suplementares orientadas para o domínio de processos de registo, inventariação e tratamento.

Iconografia do corpo e da performance humana – Esta linha de investigação desenvolve a análise e interpretação dos processos de representação do corpo e das suas performances considerando os eixos diacrónico e sincrónico.

Lusofonia e identidades – A partir da noção da cultura expressiva, pretende-se analisar os fenómenos de interculturalidade, de multiculturalidade e de trocas culturais, considerando simultaneamente as porosidades e as impermeabilidades dos grupos sociais.

Além das actividades de investigação, o CEAP tem igualmente como missão funcionar como uma plataforma de divulgação de eventos artísticos e académicos no âmbito das artes performativas.

2 thoughts on “ACERCA

  1. Boa tarde, Ana. É só clicar no botão “seguir” (ou “follow”) no canto inferior direito, colocar o seu email e passará a receberá cada novo post que for colocado directamente no seu email. Obrigado.

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