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6 Julho 2022 | 14h-17h | Museu Nacional do Teatro e da Dança
7 Julho 2022 | 18h-21h10 | Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema

Luísa Roubaud (organização) com a colaboração de Sérgio Bordalo e Sá.
Com a participação de Pedro Sena Nunes (realizador e director artístico da Vo’Arte), Manuel Deniz Silva (investigador do Instituto de Etnomusicologia – centro de estudos em Música e Dança/INET-md) e Nuno Moura (Director do Museu Nacional do Teatro e da Dança/MNTD).

Entrada livre para ambas as sessões, mediante envio de email para ceap@fmh.ulisboa.pt e mnteatroedanca@gmail.com. Reserva de convite necessária para a sessão de dia 7 de Julho na Cinemateca Portuguesa.

A exposição Francis Graça, dança, esplendor e sombras pretende dar a conhecer o percurso biográfico e o legado do bailarino e coreógrafo Francis Graça (1902-1980) na dança e no teatro musicado em Portugal, e discutir em que medida as metodologias de investigação em dança podem configurar objectos de divulgação acessíveis a um público menos (ou mais) especializado. Em continuidade, o seminário “Dança, Corpo e Cinema” visa questionar em que termos a micro-história biográfica, as representações do corpo no cinema e a ficção contida nos próprios objectos cinematográficos podem, à luz de uma articulação entre estudos de dança e estudos de cinema, ser geradoras de outras percepções acerca das conexões corpo-cultura, instrumentais para instigar novos entendimentos acerca dos ambientes mentais em determinadas conjunturas sociais e contextos de época.


6 DE JULHO DE 2022 (MNTD) – visita à exposição e apresentação comentada de filme.

14h-15h: visita guiada, por Luísa Roubaud, à exposição Francis Graça, dança, esplendor e sombras;

15h30-17h: projecção no auditório do Museu, comentada pelo realizador Pedro Sena Nunes e pelo investigador do INET-md Sérgio Bordalo e Sá, do filme Nazaré (António Lopes Ribeiro, Portugal, 1962, 17′), baseado no bailado homónimo (1948) coreografado por Francis Graça, com música de Frederico de Freitas, para os Bailados Portugueses Verde-Gaio.

SINOPSE:

“Evocar Francis Graça (1902-1980) é reconstituir os passos iniciais da dança profissional em Portugal. A sua ligação aos Bailados Portugueses Verde-Gaio, que funda em 1940, dirige e coreografa até 1960, tem turvado a percepção de um percurso artístico mais lato.

O que impele Francis enquanto bailarino – e homem – naquele tempo e num país sem tradições na dança académica? Que nexos o acercam da geração modernista e do ideário da ditadura? Onde radica a sua obstinação em inventar um “bailado português”?

Desde a controversa aparição no Teatro Novo (1925), ao sucesso dos anos 20 e 30 – no Teatro de Revista, nos seletos recitais de dança, nas embaixadas culturais do SPN e nas digressões internacionais – transparece uma vida absorvida pela dança.

Francis, o Estado Novo e o Verde-Gaio servem-se reciprocamente numa relação de forças desigual em que Francis é, a um tempo, figura colaborante e em contracorrente, paradoxo trágico ao qual sucumbe.

Os 120 anos sobre o nascimento de Francis revelam-nos uma personalidade luminosa e atormentada, genial no improviso inventivo mas tenazmente disciplinada. Rememorá-lo é fazer jus a uma figura seminal da dança em Portugal e é entender, também, as linhas invisíveis que ligam a dança portuguesa de ontem à de hoje.”

Luísa Roubaud (Investigadora do INET-md)


7 DE JULHO DE 2022 (Cinemateca Portuguesa) – apresentação comentada de filme

18h-19h15: Comentário-debate, por Manuel Deniz Silva, sobre o filme Os Três da Vida Airada (Perdigão Queiroga e argumento de Manuel da Fonseca, Portugal, 1952, 98′), com a participação de Nuno Moura, Sérgio Bordalo e Sá e Luísa Roubaud;

19h30-21h10: exibição do filme Os Três da Vida Airada.

SINOPSE:

“Realizado no período declinante da comédia à portuguesa, Os Três da Vida Airada tem sido apresentado como um exemplo do estilo “triste, aburguesado e falso” (Luís de Pina) que marcou a crise do cinema português na década de 1950. Com discreto sucesso na época, o moralismo conservador do seu frágil enredo, as interpretações pouco naturais e a ausência do ritmo que caracterizara as melhores produções do género terão certamente contribuído para o seu eclipse posterior. No entanto, o filme de Perdigão Queiroga constitui um importante documento das importantes transformações da indústria do espectáculo em Lisboa no período do pós-guerra e, em particular, do projecto de criação de uma nova revista, moderna e cosmopolita, no então recém-inaugurado Cine-Teatro Monumental, onde o empresário Vasco Morgado procurou emular os modelos da Broadway e do West-End e apresentar uma alternativa às produções tradicionais do Parque Mayer. O filme destaca-se ainda por abandonar os cenários típicos das anteriores comédias lisboetas, situando-se nas Avenidas Novas, com passagens pelo Aeroporto, a avenida marginal e o Estoril, multiplicando as sequências em exterior, pouco comuns na época. Construído a partir da oposição entre teatro amador e profissional, o filme acompanha a história de Lena (Milú) e Lico (Eugénio Salvador), actores numa pequena colectividade de bairro, onde são ensaiados por Lucas (António Silva). Rui Seabra (Morgado), empresário de um muito pouco ficcional Teatro Continental, apaixona-se por Lena e descobre o talento de Lico, contratando-o para se apresentar como bailarino na sua companhia. Variação sobre o tema do estrelato, na qual os actores jogam em permanência com a sua própria imagem pública, Os Três da Vida Airada vale sobretudo pelos inúmeros exercícios de desdobramento, como quando Eugénio Salvador reproduz, do “outro lado do espelho”, movimentos à Gene Kelly ou Fred Astaire, e pelos cinco minutos finais, em que vemos Lico triunfar no palco do Monumental em dois números inspirados nas coreografias dos filmes de Vincente Minnelli e Bruce Humberstone, numa rara incursão do cinema português pelo território do musical americano.”

Manuel Deniz Silva (Investigador do INET-md)


Esta sessão especial do Seminário em Dança e Crítica Cultural “Dança, Corpo e Cinema” decorre no âmbito da exposição Francis Graça, Dança, Esplendor e Sombras, com curadoria de Luísa Roubaud (INET-md), patente ao público no Museu Nacional do Teatro e da Dança (MNTD) até 4 de Setembro de 2022. Numa parceria entre o MNTD, o INET-md, a Cinemateca Portuguesa e o Centro de Estudos em Artes Performativas (CEAP-FMH), este seminário insere-se no Curso de Doutoramento em Motricidade Humana na Especialidade de Dança, da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa.

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