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Seminário de Doutoramento 2021

Estudos Avançados II | Dança e Crítica Cultural

Vera effigie do Mercês… (1835)
ARAGAO, Joaquim Pedro de, 1802-1880
Biblioteca Nacional Digital – litografia, p&b ; 36×28 cm.
https://purl.pt/5616

31 de Maio  | 14h-19h

1 de Junho  | 14h-18h

(por videoconferência)

Luísa Roubaud (organização e moderação) com a colaboração de Sérgio Bordalo e Sá

Participação especial de Aristóteles Kandimba (escritor/produtor e activista cultural), Alexandra Canaveiras de Campos (investigadora do ICNOVA), Ana Clara Guerra Marques (investigadora e directora da Companhia de Dança Contemporânea de Angola) e de Elisângela Chaves (Professora da área de Dança UFMG e do Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares do Lazer/EEFFTO/ UFMG)

1. Herculano Mercês foi um músico e distinto professor negro de dança de salão da Lisboa Oitocentista. Não se conhecem as suas origens; eventualmente, tanto poderia ter sido descendente de africanos escravizados, como livres, que antes habitavam a capital. Numa época em que as danças de salão animavam de uma “loucura voltejante” os encontros sociais da burguesia lisboeta, a edição de tratados de dança social protocolava modos de transmissão e novas acessibilidades, sinalizando o quanto o controlo do movimento dos corpos era veículo de preceitos de conduta, social e culturalmente estruturados. O nome de Herculano Mercês, omisso na tratadística da época, permanece praticamente desconhecido nos meios académicos de hoje.

Apresentação-debate com Aristóteles Kandimba e Alexandra Canaveiras de Campos

2. O documentário Outras Frases (de Jorge António, 2004) dá-nos a conhecer a trajectória da bailarina, coreógrafa e investigadora angolana Ana Clara Guerra Marques: os desafios de um trabalho pedagógico e de pesquisa artística (hoje com trinta anos), com a independência colonial, as sangrentas guerras civis e a história política e social do país como pano de fundo. A investigação etnocoreográfica sobre as danças patrimoniais e a sua reinterpretação, a busca de novas estéticas e linguagens e temas de intervenção e crítica social, são os móbeis para o desenvolvimento de uma dança contemporânea angolana, e eixos essenciais da Companhia de Dança Contemporânea de Angola, que fundou e dirige desde 1991.

Debate com Ana Clara Guerra Marques e Sérgio Bordalo e Sá

3. No Brasil de hoje observa-se uma explosão de manifestações de dança de índole educativo/artístico/social, maioritariamente em comunidades negras  e jovens que ocupam espaços periféricos, marginalizados, com baixos índices de qualidade de vida e situações de vulnerabilidade social e económica. Um mapeamento deste fenómeno, plural e esteticamente diverso, tem em vista problematizar a questão das identidades culturais a partir da dança experienciada em intervenções socioeducativas, em particular, as suas conexões a matrizes afro-diaspóricas. Um projecto em curso que visa analisar a negritude na produção artístico-cultural de dança e prevê alargar-se a outros contextos pós-coloniais da Lusofonia, no Brasil e em Portugal

Apresentação-debate com Elisângela Chaves

A partir dos três momentos de apresentação-debate, que reportam a questões inscritas em temporalidades e geografias distintas, o seminário de Dança e Crítica Cultural visa explorar possibilidades de articular Estudos de Dança e Estudos Culturais: identificar problemáticas e aspectos conceptuais, equacionar  metodologias de investigação, nos quais tanto dimensões do colectivo (como os trânsitos afro-diaspóricos, a pós-colonialidade…) como do individual (como biografia ou histórias pessoais…) encontram configurações nas práticas performativas, enquanto território de manifestações micropolíticas. Ao disponibilizar dados essenciais sobre dinâmicas profundas dos contextos culturais, o estudo das conexões corpo-cultura é instrumental para o entendimento de determinados ambientes mentais, fornecendo leituras alternativas ou complementares às das abordagens macroscópicas das ciências sociais e humanas tradicionais.

Notas biográficas:

Alexandra Canaveira de Campos. Mestre em História Moderna, em 2009 na NOVA FCSH, com a dissertação «Tratados de dança em Portugal no século XVIII. O lugar da dança na sociedade da época moderna». Iniciou em 2016 um Doutoramento em Ciências da Comunicação, na mesma instituição, com o título provisório «O património da dança barroca e a sua transmissão na cultura contemporânea. Os exemplos de Portugal, Espanha e França».  Além da investigação científica, trabalha estes temas em projectos artísticos e educativos, destacando a colaboração na realização do dvd pedagógico La danse baroque proposée par Béatrice Massin (2011), da companhia de dança francesa fêtes galantes. Como bailarina, colabora desde 2007 com os grupos de danças antigas Portingaloise e Canora Turba.

alexandra.canaveira@campus.fcsh.unl.pt

Ana Clara Guerra Marques. Bailarina e coreógrafa, iniciou estudos em dança na Academia de Bailado de Luanda em 1970. Mestre em Performance Artística/Dança (FMH-UL) e Licenciada em Dança pela Escola Superior de Dança (IPL). Membro do Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA). Como investigadora participa em encontros, palestras, conferências e workshops, é autora de artigos em revistas académicas internacionais e periódicos angolanos, e dos livros A Alquimia da Dança (1999), A Companhia de Dança Contemporânea de Angola (2003), Para uma História da Dança em Angola – Entre a Escola e a Companhia: Um Percurso pedagógico”(2008), do Catálogo do Museu do Dundo (Org.), “Memória Viva da Cultura do Leste de Angola” (2012) e   Máscaras Cokwe: A linguagem coreográfica de Mwana Phwo e Cihongo (2017). Em 1978 assumiu a direcção da única Escola de Dança do país; a par da docência, lança as fundações de um ensino profissional das artes em Angola, no Ministério da Cultura (MCA), onde trabalhou 37 anos. Pioneira da dança contemporânea no seu país funda, em 1991, a Companhia de Dança Contemporânea de Angola, primeira companhia profissional angolana e uma das primeiras em África: propõe novos conceitos de espectáculo, o uso de espaços não convencionais, a colaboração de reconhecidos escritores e artistas plásticos angolanos, e implementa a Dança Inclusiva em Angola. O seu trabalho em prol das artes e cultura em Angola, valeu-lhe o “Prémio Nacional de Cultura e Artes” (2006), o prémio “Identidade” (União Nacional dos Artistas e Compositores, 1995), os Diplomas de Honra (2006) e de Mérito (MCA, 2016) e o “Diploma de Honra – Pilar da Dança” (UNAC, 2011)

anagmarques@hotmail.com

Aristóteles Kandimba. Escritor, Pesquisador, Produtor Cultural, Cineasta, Curador, Activista Social e Cultural, Professor de Capoeira e fundador do Tributo aos Ancestrais PT. De origem Ovimbundu, grupo étnico do Planalto Central angolano, nasceu em Lisboa, Portugal, no início dos anos 70, momento em que o seu pai finalizava estudos universitários, e partiu com a família, aos 2 anos de idade, para as cidades de Luanda e Huambo (Nova Lisboa), Angola. Cresceu, estudou e viveu entre Angola, Portugal, Estados Unidos, Holanda e Brasil. Publicou a sua primeira obra literária, um poema, em conjunto com outros escritores, aos 18 anos de idade, em Nova Iorque, quando cursava a Faculdade Comunitária La Guardia, um componente da Universidade da Cidade de Nova Iorque, no distrito de Queens. Em 2019 publicou a obra, “O livro dos Nomes de Angola”.

real.men.wear.black@gmail.com

Elisângela Chaves. Graduada em Educação Física pela Universidade Federal de Viçosa (1995), e mestre em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (2002) e doutorada em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (2013). Foi professora da Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES, onde dirigiu e coreografou o Grupo de Dança Compassos, projeto de extensão cultural de 2000 a 2013. Atualmente é professora da área de Dança no Curso de Educação Física da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e professora do Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares do Lazer/EEFFTO/UFMG. Líder do Grupo de Pesquisa Edudança. Tem experiência na área da dança, atuando principalmente nos seguintes temas: dança, dança na escola, história da educação, história da dança, dança e educação, dança e lazer, dança na educação física

elischaves@hotmail.com

Luísa Roubaud. Doutorada em Dança pela FMH, onde é docente de Psicossociologia da Arte e da Dança, Crítica de Dança, Dança e Inclusão, e Dança e Estudos Culturais. Mestre em Cultura e Literatura Portuguesas (FCSH-UNL) e licenciada em Psicologia Clínica (FPCE-UL). Investigadora integrada do Instituto de Etnomusicologia – centro de estudos em música e dança (INET-md) e coordenadora-adjunta do pólo do INET-md na FMH. Coordenou a Licenciatura em Dança, o Mestrado em Performance Artística/Dança, e o ramo de dançoterapia do Curso de Pós-graduação em Terapias Expressivas (FMH). Professora visitante em universidades na Bélgica, Reino Unido, Espanha e EUA. Os seus interesses actuais incluem os Estudos de Dança em Portugal e nos países de expressão portuguesa, na perspectiva dos estudos culturais e pós-coloniais, temas em que é autora de várias publicações nacionais e internacionais. É redactora e crítica de dança desde 1988, actividade que desempenhou entre 2005 e 2020 no jornal Público.

lroubaud@fmh.ulisboa.pt

Sérgio Bordalo e Sá (1976). Licenciado em Ciências da Comunicação pela NOVA-FCSH (1998), tem um mestrado em Film Studies pela The University of Iowa (2001) e um doutoramento em Estudos Artísticos – Estudos do Cinema e Audiovisual pela FLUL (2013). Entre Abril de 2014 e Maio de 2015, foi bolseiro de investigação num projecto académico do CRIA (Centro em Rede de Investigação em Antropologia) relacionado com filmes turísticos. Em Junho de 2015, começou a trabalhar no projecto de investigação do INET-md, pólo na FMH-UL, primeiro como bolseiro e desde Abril de 2019 como Investigador Auxiliar, onde pesquisa a relação entre a dança e o cinema. Foi igualmente Professor-Adjunto Convidado na Escola Superior de Artes e Design do Instituto Politécnico de Leiria (2014) e na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal (2018/19).

sergiosa@fmh.ulisboa.pt

Sobre o documentário:

Outras Frases de Jorge António (Mukixe Produções, LX Filmes e TPA, 2004)

Sinopse: através da pesquisa e reinterpretação  de elementos tradicionais, Ana Clara Guerra Marques, coreógrafa e bailarina angolana, tem procurado ao longo dos últimos 20 anos criar novas estéticas e linguagens para o desenvolvimento de uma dança contemporânea angolana. Este filme mostra-nos o seu trabalho artístico e pedagógico tendo com pano de fundo a história política e social de Angola.

Realização e Produção: Jorge António
Argumento: Jorge António e Ana Clara Guerra Marques
Música: João Ferreira e Victor Gama
Coreografias: Ana Clara Guerra Marques
Imagem: Raul Booz, Leonardo Simões, Luís Correia, João Guerra etc.
Som: Armanda Carvalho
Montagem: João Nicolau, Luís Correia, Pedro Baptista
Produção: Mukixe Produções, Lx Filmes e TPA
Com a participação de Ana Clara Guerra Marques, Irene Tassembedo, Luandino Vieira, António Ole, Jorge Gumbe, Manuel Rui, José Eduardo Agualusa, Manuel Rui e os Bailarinos da Companhia de Dança Contemporânea de Angola etc.
1ª Exibição: Cinemateca Portuguesa, Lisboa, Nov. 2003
Outras exibições: Auditório Pepetela (Luanda), Fipatel (França), Move on Dance (Nova Yorque), Videoteca de Lisboa, Feira do Livro (Lisboa) Teatro Rivoli (Porto), VIII eira da Lusofonia (Viana do Castelo), centro Cultural Português Nova Deli (Índia), Imagens Lusófonas (cabo Verde) Casa de Angola (Braga e Lisboa), Universidade de Varsóvia (Polónia), Faculdade Motricidade Humana (Lisboa), Escola Artística do Porto, Faculdade de Ciências da Educação (Porto), Afrikos Kinas (Lituânia), DocLisboa, XXIII European Techonomusicology (Alemanha), Trienal de Luanda, TPA, CFI International etc.
Prémio: Melhor Documentário TV – Caminhos Cinema Português
Notas: Editado comercialmente em DVD

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