Home

Estudos de Dança e imagens em movimento
Dia: 3ª feira, 2 de Julho de 2019 | 14h-19h
Local: Faculdade de Motricidade Humana – Edifício Esteiros

Orientação: Luísa Roubaud e Sérgio Bordalo e Sá

Este seminário visa cruzar os Estudos de Dança e os Estudos de Cinema. Incidimos sobre o modo como os registos de práticas de dança nos são mostrados em documentários realizados em países africanos, durante o período do domínio colonial, a fim de fundamentar uma reflexão sobre como os processos identitários são construídos, sinalizados e negociados através do movimento do corpo – e da câmara.

Apesar do quadro conceptual e analítico proposto se dirigir a um objecto específico, é nosso objectivo ser este Seminário do interesse para a investigação que verse o estudo de práticas e representações do corpo com recurso ao registo filmado.


O método etnográfico. Da produção de documentos à fúria patrimonial. Um olhar crítico sobre uma prática essencial.
Dia: 4ª feira, 3 de Julho de 2019 | 14h-19h
Local: Faculdade de Motricidade Humana – Edifício Esteiros

Orientação: Pedro Félix

A etnografia é um dos diversos métodos empregues pelas ciências sociais e humanas. A sua prática tem-se banalizado ao longo do século XX, muito por causa da produção ininterrupta de documentos, associada a uma sobre-teorização própria de um campo científico acossado por um contexto cada vez mais monetarizado.

A prática etnográfica leva tempo e supõe técnicas complexas. É tão difícil a sua aplicação e desenvolvimento, é tão grande a sua complexidade e diversas as suas implicações, quanto ricos são os resultados que produz.

Na sessão de dia 3 de Julho, após uma introdução às noções básicas para a compreensão do método etnográfico (“terreno”, “hipóteses”, “variáveis”, “problemáticas” e sobretudo “objecto”), gostaria de lançar um olhar crítico sobre o lugar que hoje os métodos etnográficos ocupam no espaço público, a sua aplicação no contexto científico e académico, e a sua prática nos universos patrimoniais. Numa sessão que se deseja de aberta discussão, serão convocados como casos para análise as minhas próprias experiências de terreno (junto do grupo musical Xutos & Pontapés e no contexto do fado), a prática profissional (Candidatura do Fado a inscrição na lista de Património Cultural Imaterial da UNESCO e os Arquivos de som), e académica (estudo da tecnologia de som, Jornadas Soundscape/ bodyScape na FMH).


Notas biográficas

Luísa Roubaud é Professora Auxiliar na área dos estudos em dança na Faculdade de Motricidade Humana (FMH-UL), onde dirige o Centro de Estudos em Artes Performativas. É investigadora do Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança (INET-MD). Licenciada em psicologia clínica (FPCE-UL) e mestre cultura em literatura e portuguesa  contemporânea (FCSH-UNL), doutorou-se em Motricidade Humana, na especialidade de dança, pela FMH-UL. Coordenou a Licenciatura em Dança e o Mestrado em Performance Artística Dança na FMH-UL. Foi professora visitante na Université Libre de Bruxelas,  Vrije Universiteit Brussels,  Universidade de Surrey, Conservatório Superior de Danza de Málaga,  Universidade de A Coruña,) e na  Rutgers University (Newark). O seu âmbito de investigação inclui a dança teatral portuguesa durante o período do modernismo e do Estado Novo, a dança contemporânea em Portugal e nos países de expressão portuguesa, na perspectiva dos estudos culturais e pós-coloniais, domínios nos quais é autora de várias publicações. As questões da dança e da inclusão social constituem outra das suas áreas de interesse. É redactora e crítica de dança na imprensa portuguesa.

Sérgio Bordalo e Sá, nascido em 1976, é licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa (1998), tem um mestrado em Film Studies pela The University of Iowa (2001) e um doutoramento em Estudos Artísticos – Estudos do Cinema e Audiovisual pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (2013). A sua tese de doutoramento intitulou-se: Triunfos e Contradições da Vontade: Para uma Releitura de Lopes Ribeiro e Leitão de Barros no Contexto do Cinema de Propaganda (Riefenstahl, Eisenstein e cinema mussoliniano). Depois de terminar o doutoramento, teve uma bolsa de investigação durante um ano para trabalhar num projecto académico do CRIA (Centro em Rede de Investigação em Antropologia) relacionado com filmes turísticos. Em Junho de 2015, começou a trabalhar no projecto de investigação do INET-md – polo FMH, primeiro como bolseiro e desde Abril de 2019 como investigador auxiliar, onde pesquisa a relação entre a dança e o cinema.

Pedro Félix é investigador do Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança da Universidade Nova de Lisboa (FCSH) desde 1997 e colabora com o Museu do Fado (desde 2005). Na última década tem desenvolvido trabalho de terreno sobre grupos musicais em Portugal (grupos que se reconhecem como pertencentes ao domínio do pop-rock), tecnologia, indústria de edição de fonogramas, e património sonoro. Esse trabalho serviu de base para a elaboração de vários artigos científicos, apoiar a coordenação da Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX para a qual escreveu mais de 50 entradas (nos domínios do pop-rock e do fado), e a elaboração de uma tese de doutoramento sobre prática musical em contextos de produção industrial, tendo como terreno o grupo Xutos & Pontapés. Integrou a equipa responsável pela elaboração da candidatura do Fado a Património Cultural Imaterial da UNESCO, coordenando e desenvolvendo o trabalho de terreno e a inventariação de fonogramas históricos. Foi curador da exposição Óscar Cardoso. Um guitarreiro. Actualmente coordena o programa de digitalização da colecção de fonogramas do Museu do Fado e é autor e co-autor de bases-de-dados correlacionais de repertório e fonogramas, projectos que integram o plano de salvaguarda do Fado. Tem escrito sobre processos de digitalização a partir do processo desenvolvido no Museu, sobre o fado e sobre a gravação de som fruto dos dados recolhidos durante o processo de digitalização. É actualmente co-cordenador do projecto europeu (programa ERA-Net) HeritaMus. Desenvolve actividade lectiva na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas na área de métodos etnográficos e epistemologia quer do departamento de Ciências Musicais, quer na Pós-gradução em Estudos de Música Popular.

Les Maîtres Fous (1957), de Jean Rouch
Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.