Dossier: Políticas do Sensível: Sensorialidades, Sensualidades, Corporeidades
Ao herdar modelos culturais, epistemológicos e ontológicos do humanismo e seus projetos de expansão política e colonial, as sociedades ocidentais e capitalistas modernas vêm declararando uma guerra sistemática aos corpos e à própria vida. É na modernidade que vemos emergir o homem identitário, cindido pelo abismo entre o eu e o mundo. Esse sujeito moderno define-se pela presença soberana de uma consciência pensante que se ergue na ausência (ou ignorância) de um corpo sensível aos atravessamentos com o mundo e sua alteridade. Neste contexto, o pensamento lógico se edifica sobre a crescente perda do mundo e suas intensidades, cores, texturas, mobilidades, incertezas e surpresas. Juntamente ao projeto cartesiano, vemos emergir uma visão dual e hierarquizante de mundo fundamental à construção e sustentação do sistema em que vivemos, ainda nos dias atuais, e a partir do qual representamos e damos sentido às nossas práticas cotidianas, falas e relações. Seguimos reproduzindo dicotomias: cultura-natureza; homem-mulher; homem-animal; mente-corpo; ciências naturais-ciências humanas; razão-sensação; inteligência-sensibilidade; mecanismo-vitalismo; forma-matéria, entre outras. Estas oposições binárias definem o corpo enquanto elemento conectado com a natureza e a animalidade, possuindo qualidades organicistas. Foi o cartesianismo que abriu caminho para o aparecimento da metáfora corpo-máquina. O corpo passou a ser visto como uma máquina ou um dispositivo mecânico que funciona como um autômato de acordo com leis causais da natureza, retirando dele toda dimensão sensível, sensual e estética como modo próprio de conhecimento. A partir de então, é dada ao sujeito a condição objetiva e impessoal de refletir sobre o mundo, os corpos, os objetos e demais seres. Podemos afirmar que, neste contexto, o homem perde a experiência.
Possíveis temas de interesse para este número incluem:
• Do somático ao social: mediações
• Antropologia dos sentidos corporais
• A dimensão histórica e epistemológica da sensualidade
• (I)Lógicas da sensação
• Estudos em inconsciente óptico
• Estudos em insconsciente sônico
• Arte, experiência e corporeidade
• Food art
• Dança, sinestesia e discurso (ou para além dele)
• Raça, gênero e sexualidade como dimensões sensíveis
• Meio associado: iterações
• Pós-fenomenologia e arte
• Cognição encorporada e enação
• Educação somática como metodologia de pesquisa do sensível
• Eco-feminismo e políticas do sensível
• Micropolítica, práticas somáticas e os saberes da experiência
• Eco-somática
• Corporeidades ancestrais e ecosofia
A Revista Vazantes é uma publicação semestral vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Artes, do Instituto de Cultura e Artes, da Universidade Federal do Ceará.
Sobre a Vazantes: http://periodicos.ufc.br/vazantes/about
Vol. 1 N. 1: http://periodicos.ufc.br/vazantes/issue/view/566
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PRAZO FINAL PARA SUBMISSÃO: 15 de Setembro de 2018
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