Na próxima 6ª feira, dia 26 de Janeiro de 2018, pelas 15h, no Salão Nobre da FMH, Thaís Gonçalves vai defender a sua tese de Doutoramento:
Sensorialidades antropofágicas: saberes do sul na dança contemporânea
Orientadores: Prof. Doutor Daniel Tércio Ramos Guimarães (FMH/UL)
Prof.ª Doutora Verônica Fabrini Machado de Almeida (UNICAMP)
Júri: Paulo Guilherme Domenech Oneto, Gonçalo Manuel Albuquerque Tavares, Ana Maria Rodriguez Costas, Ana Godinho Gil, Verônica Fabrini Machado de Almeida, Daniel Tércio Ramos Guimarães.
Esta tese foi elaborada para a obtenção do grau de Doutora em Motricidade Humana, na Especialidade Dança, na Universidade de Lisboa e de Doutora em Artes da Cena, Área de Concentração Teatro, Dança e Performance, no Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas. Tese no domínio das artes, realizada ao abrigo da alínea b) do n.º 2 do art.º 31º do Decreto-Lei n.º 230/2009 Julho/2017.
RESUMO
Corpos estranhos, disformes, desfigurados, desarticulados. O que fazer quando uma lógica da sensação se impõe e subverte corpos, processos de criação em dança e estratégias coreográficas?
Como compor em estados de vibração, espasmos, pausas prolongadas, tremores e gestos que simplesmente insistem em moverem-se de determinada maneira? Ao fazer emergir das sensações texturas de movimento descoladas de temáticas, ideias, técnicas e roteiros prévios, a coreógrafa e bailarina Juliana Moraes teve seus procedimentos desafiados na elaboração da série coreográfica
Peças curtas para desesquecer (Companhia Perdida), e do solo Desmonte. Tais mobilizações do corpo surgiram nas experimentações com materiais inspirados nos objetos relacionais de Lygia Clark, em laboratório ministrado pela artista Ana Terra. Objetos ordinários, sem apelo semiótico, geraram uma dança desassociada de imagens. Com a metodologia de pesquisa do ator Gustavo Sol, tais materiais formalizaram-se mantendo a potência de vibração dos corpos em estados de presença poética, nos quais a atenção tem uma dimensão coreográfica. Dançar em ato. Lógica das proposições de Lygia Clark e Hélio Oiticica que, nos anos 1960, romperam com suportes da arte visual e, inspirados por Oswald de Andrade, instauraram um modo antropofágico de criação. Antropofagia como procedimento. Deslocando a pergunta o que é para o que se pode fazer com a sensorialidade, foram investigados os modos de criação e as escritas de Juliana Moraes e outros cinco criadores em dança e teatro – Mariana Muniz, Jussara Miller, Luis Ferron, Renato Ferracini, Carlos Simioni e Gustavo Sol. O que devoram esses artistas? Que pontes fazem entre mundos visíveis e invisíveis?
Estariam permeados de princípios das cosmogonias indígenas, dos saberes do/no corpo, de uma performatividade? Num caldeirão, em torno das sensorialidades antropofágicas, fervem artistas, xamãs e pensadores, de Deleuze, José Gil, Steve Paxton, Anna Halprin, Hubert Godard, Antonin Artaud, à Oswald de Andrade e Viveiros de Castro, entre outros.